terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Os escolhidos

Fechando uma pequena trilogia com dois textos anteriores do mês de novembro de 2008 (Façam suas apostas e Façam suas apostas: comentários), vamos a um balanço da montagem do novo governo municipal. Advirto apenas que se trata de um artigo de opinião, mas balizado por um amplo conhecimento da máquina e das “peças”.
Como era de se esperar, no todo, tudo bem dentro das previsões. Infelizmente, apesar de algumas gratas surpresas, a esmagadora maioria das nomeações seguiu o rumo das edições anteriores, a forma simplista do acomodamento de nomes de campanha, daí o alto índice de acerto nas casas de apostas. Ajeita daqui, um desvio de função dali, “acochambra” um pouquinho e pronto, ou quase.
Mas vamos a um resumo do que de mais importante se pode notar. Começando pelo carro chefe da nova administração, para a “menina dos olhos” do prefeito, a saúde, ele não quis correr risco. Sem nenhuma aventura elegeu logo dois para administrar essa secretaria, Dr. Edvar Andrade e Dr. Nilo, este como Assessor Especial. O secretário Dr. Edvar, como todos sabem, é um dentista muito bem sucedido e um homem realizado, fácil concluir que só entrou nessa por idealismo mesmo e um sonho. O fato de não ser médico é outra coisa interessante, pois o mais famoso e competente ministro da saúde que tivemos (leia-se: quebra de patentes e, milhares de bem sucedidas campanhas e projetos) foi José Serra, que é um economista e forte candidato a presidente ano que vem. De cara o novo secretário manteve dois ex-integrandes da administração passada no seu grupo de trabalho, o chefe do Pronto Socorro e o Christian (ex-grupo SIM), o que deixa a impressão que quer trabalhar tecnicamente. É torcer e esperar.
Algumas secretarias foram ocupadas por ex-secretários de mandatos anteriores, como Administração, Fazenda e Obras, ou seja, novidade zero e aprovação do chefe pelo serviço desenvolvido pelos mesmos noutra gestão. Já numa outra a solução foi inovadora e de certa forma surpreendente. Na Secretaria de Agricultura e Pecuária, com dois ex-secretários disputando a indicação, o nome de Izonel Lopes selou de maneira tranqüila a não recondução de nenhum deles. Por falar nisso, agradecimentos ao ex-prefeito Ataíde, pois se não fosse a sua “brilhante” idéia da criação dos cargos de “assessor especial”, seria difícil para a atual administração acomodar alguns companheiros agora. No gabinete não caberia tanto peso e como ordenadores de despesas, que é o caso dos secretários hoje em dia...
Sobre os cargos de Assessores Especiais já citados aqui por duas vezes, são aqueles que outrora o Sr. Alexandre de Almeida, vulgo Alexandre Dentista, então vereador, brigava contra a sua criação e que na época chamou de oportunista, dinheiro jogado fora e etc. Pois não é que o mesmo agora ocupa uma das vagas. Máscara ao chão. Confirmados nestes estão, além do Dr. Nilo, que vai atuar na saúde, o Alexandre Dentista e o seu xará, o Maia. Coincidência ou não, esses dois são tidos como pré-candidatos à assembléia mineira e receberam o mesmo auxílio campanha. Contudo, o que ninguém sabe ainda é qual terá a honra do apoio formal da administração, pois nem mesmo uma pista há, pois na eleição de 2006, o Dentista foi adversário do Hernani a deputado estadual e o Maia foi trocado pelo prefeito por Marcos Lima. Ainda sobre os “especiais” assessores seria de bom tom a administração regulamentar suas funções, horário de trabalho, local e etc., pois da forma como está fica parecendo que se trata de algum pagamento por serviço prestado anteriormente, ou em campanha, e não que por ventura estará sendo feito e isso é ruim até mesmo para os ocupantes de tais cargos, alguns com nome a zelar.
Nos dois setores jurídicos da administração, Controladoria e Procuradoria, onde os nomes mais comentados no final do ano passado eram os dos renomados doutores Paulo Felipe e Jairo Roberto, eis que surge Dr. Rogério, sócio do filho do prefeito e Dr. Telmo Aristides. Talvez a juventude tenha sido o critério adotado na escolha, sendo a experiência, a autonomia profissional e pessoal, os fatores contrários. Comenta-se que o foi Dr. Paulo Felipe que recusou uma das indicações, mas sem muito alarde.
Na importantíssima Secretaria da Educação, assim como na de Saúde, optou-se pela segurança e o nome de Rosa Beraldo chegou com extrema naturalidade, pois é do ramo. Na Indústria e Comércio, como havia previsto também, o Renatinho Ourives, presidente da Acip, contou com um grandioso atributo, sua nomeação acomoda do lado de fora alguns chamados “homens bombas”.
Sobre a escolha do ex-vereador Auro Maia para a Secretaria de Assistência Social, gostaria de aproveitar para dizer, que ao contrário do que o ex-edil pensa, principalmente em decorrência do meu artigo intitulado “Ficha Suja”, não tenho absolutamente nada contra ele. Trata-se apenas de mostrar que existe um outro lado para as estorinhas que conta. Então, voltando a sua designação propriamente dita, ela vem recheada de esperança, como tudo que diz respeito ao PT. Esperança dele conseguir recursos junto ao governo federal. Esperança no fato do Auro, que foi assessor parlamentar um bom tempo sem ser cobrado de nada, nem mesmo o local onde trabalhava e o que realmente fazia, demonstre mais trabalho agora. A esperança agora diz respeito a resultados, pois discursos não irão bastar. Assim, quem sabe ele possa retribuir essa confiança toda, até mesmo por parte da justiça, haja vista que, mesmo condenado com a perda temporária dos direitos políticos por aliciamento de menores, o que invariavelmente acompanha ou fica subtendido a proibição de contratar com administração pública, nunca teve questionada sua condição de assessor parlamentar e nem agora sua nomeação como secretário. Isso também, nem por parte da imprensa, nem de nenhuma destas tão combativas entidades de proteção à coisa pública. Acho que neste caso específico, não existe nenhum interesse por parte de ninguém, nem mesmo do Ministério Público de levantar essa questão, assim, é torcer para que ele retome o caminho que tinha há alguns anos atrás, apesar de entender que a estrada que ele está agora é outra e é difícil alguém chegar a um determinado lugar pegando a estrada errada, mas sempre podemos corrigir nossos caminhos.
No Planejamento ficou mesmo Antonio José Francisco, que era cotado também para o “Obras”. Mais conhecido como Toninho Pastor, seu nome soa muito bem pela pessoa que sempre demonstrou ser. Ao que parece, é o único cargo de primeiro escalão da ala Cóssimo. Talvez a sua maior tarefa transcenda à própria pasta que hora ocupa. Conseguiria o Sr. Toninho, reconhecidamente um homem de fé, levar os ensinamentos bíblicos a seus pares. Empreitada difícil, por exemplo, passar a alguns os princípios do livro de Isaías, que descreve que os grandes líderes jamais sacrificam a obediência a Deus para alcançar favor ou sucesso político. Em 10.1-4 Isaías faz uma severa advertência contra líderes que oprimem outros para obter lucros pessoais. Talvez seja realmente difícil para o Sr. Toninho, mas com certeza é a única pessoa preparada para isso no grupo do qual faz parte.
Nos escalões inferiores, ao contrário do que divulgado no boca a boca de campanha e que muitos acreditaram, figurinhas pra lá de conhecidas foram ressuscitadas. De uma forma geral, é a oportunidade de redenção de alguns junto a quem realmente merece, o cidadão passense. A todos escolhidos, uma lembrança: “A grandeza não consiste em receber honras, mas sim em merecê-las”.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Será mesmo que tem que ser assim?

Encontra-se um caos a saúde na cidade de Passos, isso ou algo parecido foi a manchete estampada, ou plantada, logo no primeiro dia do ano, não coincidentemente, primeiro dia também de uma nova administração. Leigos e até mesmo alguns “especialistas” não sabiam se a notícia procedia ou se era apenas um balão de ensaio. A notícia ainda dava conta de que algumas providências já estavam sendo tomadas, como, por exemplo, mandar limpar o velho Pronto Socorro Municipal. Depois de um feriado prolongado é o mínimo que se esperava, mas caos?... Talvez por nunca termos vivenciado um caos, vira e mexe o termo é usado de forma leviana por aqui. Segundo o dicionário Michaelis, a palavra caos significa: 1. Confusão geral dos elementos; 2. Total confusão ou desordem. Já o adjetivo total, de acordo com o mesmo glossário, é sinônimo de completo, ou, que forma um todo.
Passado poucos dias, alguns atos que não se tem tanto interesse assim em serem divulgados já desmentiam tacitamente a primeira manchete do jornal local. A recondução de dois dos principais cargos da saúde, um na área administrativa e o outro, do próprio chefe do Pronto Socorro - PS, falam por si só. Caso realmente estivesse instaurado um caos na saúde e mais ainda, propriamente no PS, porque aqueles que estavam à frente seriam reconduzidos? Estou aqui exercitando o que falei no artigo anterior, onde dizia: Use e abuse dos “por quês?”.
Mais para o final da semana passada, foi noticiado numa rádio da cidade que havia muito medicamento estocado na Secretaria de Saúde, algo que daria aí para uns três meses. Chegou-se a levantar a hipótese até mesmo que estes estariam vencidos. Mas quanto ao vencimento isto é muitíssimo simples de verificar e se fosse realmente verdade não sairia como desconfiança e sim como denúncia. O espanto talvez venha do fato de que isto ocorre pela primeira vez no município. Talvez por sempre encontrar os estoques vazios, sempre se entregou assim também.
Será que ninguém nunca pensou em fazer diferente, e não estou aqui a falar de A ou H. Todo cidadão ao assumir um cargo público qualquer, seja a prefeitura, uma secretaria ou mesmo um departamento que for, simplesmente dizer que vai tentar melhorar, dar continuidade no que está sendo bem feito e mudar aquilo que não está muito legal no seu entendimento, sem a necessidade de querer aniquilar ou esculachar aqueles que estão saindo. Talvez quem fizer isso quando estiver entrando, receba na sua saída o mesmo tratamento.
Somente para finalizar, hoje começa a sinalização horizontal (pintura viária), são cinco mil metros quadrados a serem executados na Av. da Moda, Arouca e etc. Além dessa, tem também a aquisição de um conjunto semafórico que deve ser entregue essa semana e vários outros materiais que se encontram a disposição para serem implantados na sinalização da cidade. Os processos licitatórios começaram em agosto, setembro e não foram interrompidos por causa do resultado das eleições. Com relação à notícia que originou o artigo deixo a frase do ex-candidato à Casa Branca na década de 60, Adlai Stevenson, explicar: “Um editor de jornal é alguém que separa o joio do trigo - e imprime o joio”.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

2000 INOVE

Toda mudança de ano vem carregada de expectativas, muitas delas que antecipadamente pressupomos que jamais irão se concretizar, mas, e daí? Nunca devemos deixar é de sonhar. Cabe aqui lembrar que o sonho deve ser apenas o princípio e que depois deste deve haver uma coisa chamada ideal, objeto de nossa mais alta aspiração. Esse deve ser motivo de luta, de batalha, do nosso melhor. “Nada se pode esperar dos homens que entraram na vida sem se exaltarem por algum ideal” (José Ingenieros). O ano novo pode ser também o marco de um recomeço, sempre que se fecha uma porta outra se abre, cabendo a cada um de nós saber enxergar isso e aproveitar as oportunidades que a vida sempre nos dá.
De tudo uma coisa precisa ser revista, necessitamos da adoção de uma postura mais filosófica a respeito de tudo, nos tornando assim menos pragmáticos, isso é fundamental para o crescimento humano. Use e abuse dos “por quês?”. Assim, não seremos presas tão fáceis daqueles que se aproveitam da superficialidade dos dias de hoje. Pergunte... Questione... Pesquise... Não aceite qualquer resposta, pois muito se esconde através de superficialidades. Cuidado com o wikipédia. Aprofunde mais.
Antes que eu me esqueça, o título desse artigo eu copiei de uma propaganda do Bradesco, e desta forma, aproveito para relembrar, dêem crédito sempre a quem cria, a isto se pode também chamar de ética.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Independência ou mortes

Depois de mais de uma década trabalhando no setor de trânsito, uma dezena de artigos publicados sobre o assunto, mais de seiscentas horas de cursos, encontros e fóruns, uma pós-graduação na área junto aos maiores especialistas de Minas, trabalhar ainda como consultor em praticamente toda a nossa região, tenho autoridade para afirmar que é chegada a hora do Departamento de Transporte e Trânsito de Passos – TRANSPASS ter mais autonomia para realizar as mudanças que se fazem necessárias e que a política não nos permitiu fazer de todo.
Passos conta hoje com uma frota de mais de quarenta mil veículos, o que gera muitos impostos e trabalho, tanto diretos, quanto indiretos. Porém, vivemos ainda sob a batuta da ingerência política e também de alguns que visam somente seus interesses particulares. Não cabem mais decisões neste setor que não sejam estritamente técnicas. Não é possível que ainda tenhamos que conviver com alguns que aproveitam da política de cidade ainda provinciana e, por terem um comércio em determinado local ou sua “mansãozinha” em tal rua, se acharem no direito de ditar as ações que envolvem segurança e a vida das pessoas. Não é aceitável que uma cidade de mais de cem mil habitantes possa ter questões como: mão de rua, colocação de semáforos, implantação de quebra-molas, proibições de estacionamento, itinerário de transporte público e etc., determinados por palpiteiros de plantão, oportunistas ou aventureiros.
Mas porque estou falando isso agora e desta forma? Vejamos: Por se tratar de um departamento e sendo conduzido por um diretor, hierarquicamente o órgão de trânsito municipal fica sujeito a todo tipo de ingerência dentro da própria estrutura da administração municipal. É um secretário que diz que fulano, morador ou comerciante de determinada rua não quer uma mudança, de vez em quando é um vereador que “mina” outra e assim por diante. Lutei arduamente contra isso e assim colecionei alguns desafetos, mas todos sabem que nem sempre venci (leia-se Rua da Praia, Barão de Passos, João Pinheiro, os famigerados “quebra-molas”, semáforo do Tula...). Entendemos que se fosse uma secretaria essas coisas diminuiriam muito, principalmente pelo fato do secretário estar em pé de igualdade com seus pares e também ser ele o ordenador de despesas, podendo assim determinar onde empregar os recursos diretamente com o prefeito, coisa que não acontece com o diretor.
Vocês podem estar pensando nos custos que isso iria gerar aos cofres públicos, mas garanto que com relação a isso a coisa já está muito bem encaminhada. O departamento tem praticamente todo seu investimento pago com verba oriunda de um convênio com o Estado. De um departamento inserido dentro de outro há dez anos atrás, hoje o Departamento de Transporte e Trânsito de Passos - TRANSPASS já se encontra em outro patamar. Saímos de uma meia-sala no prédio da Prefeitura para, depois de mudar de local por duas vezes, chegarmos a uma boa casa na região central, onde pela primeira vez na história todos os setores do departamento estão juntos. De uma Kombi velha herdada do transporte de professores da zona rural passamos a contar com uma camionete S10 equipada e uma saveiro (um pouco usada é verdade), além de uma moto zero km. Temos ainda computadores e vários outros equipamentos que não possuíamos antigamente.
Com relação ao serviço, esse foi nosso maior salto. Temos nossa modesta (em números de pessoas) equipe toda treinada e já há algum tempo não necessitamos que ninguém venha a Passos para nos auxiliar, muito pelo contrário, somos nós que muitas vezes damos assistência às cidades vizinhas. O restante que se faz necessário para se tornar uma secretaria pode vir de uma simples vontade política. No lugar de três Assessores Especiais – ASPONEs - diga-se de passagem, uma herança maldita do governo Ataíde e que foi tão criticada pelos que vão assumir agora (assim sendo, por que não acabar?) e diante dos moldes que já se encontra o Departamento de Transporte e Trânsito de Passos – TRANSPASS poderíamos ter um secretário, mais dois operários e cinco agentes de fiscalização, número insuficiente é verdade, mas bom para um começo. Portanto, somente no lugar de três ASPONEs fechamos um quadro de pessoal capaz de gerir uma secretaria importantíssima para a cidade e a segurança dos nossos munícipes. Caso contrário, que venha mesmo o SAMU e a dinheirama que este custa, pois os acidentes, principalmente de motos, não param de crescer e o trânsito vai ficando cada vez mais complicado.