quarta-feira, 7 de abril de 2010

Sino sem badalo

Primeiro gostaria de pedir desculpa pela longa ausência, afinal de contas são mais de duas semanas sem postar nenhum artigo. Não foi por falta de assuntos. Poderia ter escrito sobre a inauguração da ponte Passos/Glória, ou seria Glória/Passos? Deixo para os ridículos politiqueiros de plantão responder. Poderia ter falado dos papagaios de pirata que por lá estiveram, heim? Pessoas que nunca mexeram uma palha para que essa obra se concretizasse. Gente que teve essa oportunidade ao longo de sua carreira política e nada fez. Olha que usou a balsa inúmeras vezes, até para trabalhar. Ainda sim, ouvi dizer que destilou seu veneno na solenidade de inauguração, de forma meio indireta é verdade. Por causa do cerimonial obrigatório destas ocasiões, acabou ganhando uma “participaçãozinha” no evento e, não contendo o despeito ao ver a grandiosidade da obra, quis desmerecer o trabalho de um desafeto seu. Normal diante da pequenez de quem não consegue mais que “binguelas”.
Poderia eu também ter escrito sobre a dengue e seus números em nossa cidade. Diga-se de passagem, esses não têm sido atualizados pela imprensa nos últimos dias. Por que será? Hoje a epidemia vem sendo tratada como sendo culpa exclusiva da população, bem diferente dos outros anos onde era visto como descaso do poder público. E olha que os números eram bem menores. Na verdade nós sabemos bem que é uma somatória das duas coisas.
Assuntos é que não faltam, dava até para filosofar sobre a vitória do “Dourado” no BBB, mas meus leitores não merecem isso. Então resolvi escrever um artigo sobre algumas leis que não pegam. Parece piada. Na verdade isso não existe, o que acontece é um descaso de quem tem que fazer com que as mesmas sejam cumpridas. Li certa fez que o Brasil deveria ter uma Constituição com um único artigo: "O brasileiro precisa criar vergonha". Diante da modernidade da vida de hoje, a nossa sociedade acaba necessitando de um complexo sistema de leis.Para fechar o enorme leque que o assunto pode nos levar, trago essa discussão somente para o que de mais gritante vemos em nossa cidade. A verdade é que por aqui parece que algumas leis simplesmente não existem. E o pior, ninguém fala nada. Nem executivo, nem legislativo e nem mesmo o judiciário. A população em geral então, até tenta levar uma “vantaginha” nisso. Como se isso fosse bom, bem ao estilo da “Lei de Gérson”. Sem perceber que para cada vez que leva alguma vantagem, outro ou outros estão sofrendo com isso e noutro caso, são eles mesmo que estarão do outro lado.
Cadê a lei da meia-entrada para estudantes? É sistematicamente desrespeitada nos grandes eventos com subterfúgios pra lá de “manjados”. E o Código de Trânsito? Em Passos não passa de uma lei em desuso. Só pra refrescar um pouco: Sem cinto de segurança, falando ao celular, transportando pessoas na carroceria, não dando preferência ao pedestre... Entenderam do que estou falando?
E o Plano Diretor do nosso município? Bem na acepção da palavra é somente um plano mesmo. Daqueles que nunca viram um fato concreto. Temos agora também uma lei anti-fumo, se não me engano estadual. Deve ser alguma piada, pois se nem conseguem brecar os ilícitos, o que dirá do velho “careta”. Têm outras menos conhecidas e que igualmente não são cumpridas, como a que determina aos bancos terem que atender num tempo inferior a 15 minutos. Acho que é isso, já nem tenho certeza diante de tanta ineficácia. E por aí vai... Penso que já podemos até falar em se tratar de uma terra sem lei, ou seria uma terra onde os operadores desta é que não tem vergonha?
As leis são assim: Diante do descaso do poder público e da falta de vontade e vergonha da população, simplesmente não pegam. Ao contrário da dengue.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Vai sommando bugrada

Faço uso de novo de uma reportagem do passosnews.com para escrever meu artigo. Tomo essa liberdade por ser um colaborador deste. Assim, transcrevo parte da matéria vinculada sob o título “Ruas do Penha II começam a receber asfalto”: “A Rua Tereza Lima Maia, no Bairro Penha II, é a primeira a ser asfaltada, dentro do Programa Somma 2. Na tarde desta segunda-feira (15), vários moradores acompanhavam os trabalhos da empresa Berna, que começou a colocar a capa asfáltica na referida rua.” – Fantástico. Fico imaginando como deve ser para uma pessoa que vive na terra ver sua rua sendo asfaltada. Duas falas de moradores resumem bem isso: “Romildo dos Santos, morador há 10 anos na Rua Tereza Lima Maia, falou sobre a importância da obra que irá trazer conforto, pois é uma via com muito movimento, e ‘de agora em diante vai ser possível manter o local limpo’. Para outro morador, Juliano Souza Silva, o asfaltamento é importante porque ‘valoriza as casas, além de livrar os moradores da poeira e do barro”.
Outra fala define bem como funciona a política nestes casos: “Ao discursar durante o ato de lançamento do programa de asfaltamento, o presidente da Associação de Moradores do Bairro Penha 2, Giuliano Lemos, disse que “a administração passada não calçou nem meia rua, mas o Dr. Hernani prometeu e cumpriu: está trazendo o asfalto para o nosso bairro”. Outros discursos de “bába-ovos” profissionais (esses devidamente empossados) nem vou citar, porque são dirigidos a um público bem diferente dos meus leitores, pois como estou hoje e pretendo continuar assim, somente na internet, tenho a consciência de ser lido por pessoas que não vivem sob a escuridão da ignorância e sim por outros que buscam saber um pouco mais das coisas. Ler nas entrelinhas também. Para os outros, peço a Deus que a luz, não a do poste, mas a da sabedoria, possa também atingi-los um dia, para não serem reféns de populistas baratos.

O bairro Penha II nasceu sem asfalto porque o prefeito da ocasião assim aprovou, numa época onde isso não mais acontecia em cidades do porte de Passos. Essas pessoas que viveram esse tempo todo na terra deveriam é estar “xingando” o prefeito que os condenou a passar todo esse tempo no pó e no barro. Que ainda ajudou de forma indireta aquele bairro se tornar um dos mais violentos da cidade. O que talvez não acabe só com asfalto. Aprovar um loteamento daquele tamanho sem asfalto foi um belo ato de má administração. Isso sim. Agora, para corrigir, todos nós pagaremos por isso.
Isso custará à Prefeitura (leia-se: nós todos) R$ 3,3 milhões, recursos estes que foram financiados pelo Novo Somma - programa do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG). Para quem não sabe o prefeito que tira os louros agora é o mesmo que aprovou o loteamento sem asfalto e que queria 36 meses de carência para este financiamento, ou seja, neste mandato não seria pago nem uma parcela. Ainda bem que desta vez a Câmara Municipal não dormiu no ponto, deu 12 de carência e 24 para pagar. Mas existe um boato de que o executivo iria recorrer ainda ao amigo judiciário. Para que fique claro, a idéia era fazer, não ser pago nem uma parcela neste mandato e depois sim começaríamos todos a pagar. Provavelmente já com IPTU mais alto ou outra coisa do gênero.Para finalizar, esse mesmo empréstimo, se não fosse os erros absurdos do passado, poderiam estar recuperando nossas avenidas que viraram uma verdadeira colcha de retalhos. Vivem de remendos mal feitos e às vezes nem isso, como nestes últimos meses. Dêem uma passadinha na Juca Stockler e outras avenidas e ruas. Mas vão bem “devagarzinho”, porque eles, os buracos, surgem a todo instante.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Caindo as máscaras


Estamos assistindo ao maior espetáculo de máscaras caindo da história de Passos. Confesso que não estou nem um pouco surpreso com estes acontecimentos. Primeiro foi o ex-vereador Alexandre Dentista aceitando ocupar uma vaga de Assessor Especial, cargo que “criticava” duramente a sua criação. Agora, bem aconchegado no cargo que tem o maior salário na administração, fica quietinho. Até mesmo diante da “dengue” que se alastra no município, pois quando era vereador fez o maior teatro numa audiência pública para tratar do assunto. Está tudo gravado, graças a Deus.
Agora vemos o ex-presidente da Amapassos, Jose Geraldo SILVEIRA, que até então, ele e seu grupo, sua associação, ONG, sei lá, eram os guardiões da moral e defensores do fim do nepotismo, nos termos que eles mesmos ditavam. Agora o “primo” do prefeito aceita não só os nepotismos velados (segundo a antiga máxima da sua Amapassos) que ocorrem na cidade, como também pegou um cargo na administração e levou um companheiro, que mesmo não sendo nada da área, serve para ocupar um cargo técnico... Quanta mudança. Parece que a reunião entre a Amapassos e a Prefeitura noticiada na imprensa meses atrás já começa a frutificar (pra eles, é óbvio).
Repito não me surpreender com nada disso, sempre achei que não passava de politicagem. Campanha eleitoral mesmo. Outras máscaras caíram mais sutilmente. Paladinos da ética que tão entusiasmadamente e de forma “independente” e apartidária, sem nunca mencionar o seu real interesse e lado, que faziam uso de espaço na imprensa para atacar outros candidatos, receberam a recompensa em forma cargos, alguns para eles, outros para os seus. Estou me referindo aqueles que se diziam neutros. Alguns o fazem até hoje. Esses na verdade são os piores, pois tentam passar um ar de isenção para pegar leitores e eleitores mais desavisados, e olha que são muitos os otários.
Fico até certo ponto aliviado, tinha medo de estar sendo leviano e maldoso no meu pensamento acerca de alguns “conterrâneos”. Por outro lado é triste, gostaria mesmo é de estar errado e humildemente me desculpar e pedir perdão a Deus por estar sendo injusto. Mas o que estamos vendo é que certos indivíduos fazem mesmo qualquer coisa por seus interesses.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Ouvindo um som


No final de 2007 me foi solicitado fazer um itinerário para os ônibus intermunicipais que utilizariam a nova rodoviária da cidade de Passos. Trabalhei alguns dias nisso sabendo da necessidade dessa regulamentação, contudo, conhecendo bem a cabeça pequena de alguns influentes munícipes, sabia que haveria discordâncias e resistências, pois muitos não conseguem enxergar mais que seus próprios umbigos. Deste trabalho surgiu um decreto que começava assim: “Dispõe sobre a fixação dos itinerários dos ônibus das linhas interestaduais e intermunicipais de características rodoviárias e suburbanas, no perímetro urbano do Município e dá outras providências. Art. 1º... – Ônibus que demandam ou chegam pela rodovia MG 050...”. Enfim, foi feito um itinerário de chegada e partida de todas as possibilidades: MG 050, BR 146 (Bom Jesus da Penha) e Rodovia Dep. Humberto de Almeida (São João Batista do Glória).
Passado pouco tempo se iniciou a campanha eleitoral para prefeito, e alguns, de forma oportunista, aproveitaram deste momento de “fragilidade” dos candidatos e não é que conseguiram junto ao ex-prefeito a revogação do decreto. Pouco a pouco voltaram os ônibus a passar por dentro cidade, principalmente na Av. da Moda e praticamente foi eliminada uma das boas vantagens de se ter uma rodoviária em um local como onde se encontra a nossa.
Não sabia eu que num outro ponto da cidade, regado a “chope”, promessas similares ocorriam em outra candidatura. Coisas técnicas que envolvem o trânsito sendo colocadas em campanhas e até em mesas de bar. Dessa forma, vemos agora a liberação de estacionamento junto ao canteiro central da Av. da Moda entre a Rua dos Piantinos e a Santos Dumont. Esse trecho era justamente onde existia a possibilidade de ultrapassagem, principalmente quando nos deparamos com veículos muito lentos, caso de alguns ônibus, caminhões de lixo, carretas e etc. “Amadoristicamente” entenderam a diminuição do tráfego de veículos nas férias como sendo algum indicativo real de queda e cumpriram a promessa de liberar o estacionamento no local. A volta às aulas, mesmo que timidamente nestas duas semanas anteriores ao carnaval já demonstrou a besteira que fizeram.Travar o trânsito numa das poucas avenidas que cruzam a cidade é no mínimo falta de inteligência. Tentar gerar estacionamentos nas vias públicas a qualquer custo é como correr atrás do vento. Isto se faz com rotatividade das vagas e não com garagem a céu aberto que atendem mais donos e funcionários mal instruídos que propriamente a clientes. Mas como uma coisa puxa a outra, foi aí que entendi o sistema de som naquela via. Caso fique travado, vai escutando uma música e ficando por dentro das promoções.