terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Passense Otário

Antes que algum conterrâneo fique bravo e desista de ler meu novo artigo, que só agora escrevo, depois de um mês, vou explicar o título do mesmo. Vou fazer isso transcrevendo um diálogo do qual fui um dos protagonistas, já adiantando que também sou passense e com certeza otário como os demais.
Eu – Bom dia!
“Rapaz” da SAMP – Bom dia.
“Rapaz” da SAMP – O senhor vai querer de uma ou duas horas?
Eu – Uma só... Vai ser rápido.
“Rapaz” da SAMP – R$ 1,50
Pausa: enquanto ele me dava o troco e preenchia o talão fiquei olhando para os carros estacionados próximos. No meu campo de visão podia ver de dez a doze carros. Cabe aqui mencionar que estava eu na Av. Expedicionários (entre Barão do Rio Branco e a Farmácia Hemeopassos).
Eu: Por que todos esses carros não têm talonário?
... Silêncio...
Eu: Qual o critério adotado para que uns paguem (no caso específico era só eu mesmo) e outros não?
“Rapaz” da SAMP – Alguns chegaram antes de mim, outros. (assim mesmo... não continuou).
Eu – Acho que só otário paga. (confesso que fui duplamente otário... era a deixa).
“Rapaz” da SAMP – é por aí mesmo.
Fim de papo, falar o quê?
Você pode até estar dizendo: mas eu sou da turma que não paga. Isso com certeza não faz de você um não otário, vou explicar melhor mais abaixo. Também não vou fazer nenhuma apologia contra a área azul, de forma alguma. Não gosto do sistema adotado em Passos, mas acredito no trabalho da SAMP. Sei também que se fosse seguido os verdadeiros critérios para implantação de área azul, que é a rotatividade das vagas, seria essa de suma importância para a cidade. Mas aqui isso nem é levado em discussão.
Para aqueles que não pagam área azul e por isso se acham espertos vou lembrar que vocês pagam IPVA e ainda tem pedágio. Sem contar a questão municipal, pois o município que fica com 50% do seu IPVA lhe devolve com buracos e mais buracos nas vias. Vale recordar também que toda vez que porventura você ou outro munícipe venha a cometer alguma infração de trânsito, metade também vem para os cofres públicos. Esse dinheiro que deveria ser todo para sinalização e campanhas educativas hoje é usado mais para promover excentricidades de alguns despreparados. Zero de campanha educativa em dois anos. Recuperação tardia da pintura da cidade que tem acarretado nova demarcação, praticamente tem-se que fazer o serviço duas vezes. É muita incompetência.
Os números de acidentes batem recordes e alguns estão preocupados com a compra de veículo para seu departamento. Temos semáforo no centro da cidade há quase um mês com defeito. Tenha a santa paciência. Dá-se claramente preferência às motos no trânsito, não só em relação a estacionamento, pois isso é o de menos. Falo com relação a prioridades no tráfego, mesmo ante a segurança dos pedestres. As primeiras consequências disso já começam a aparecer. “O número dos acidentes de trânsito atendidos pelas Guarnições de Resgate da 2ª Companhia do Corpo de Bombeiros de Passos/MG subiu até cerca de 65% em comparação com a média dos últimos 10 meses (janeiro a outubro de 2010)”... “Hoje em dia não se admite amadorismo no planejamento das ações e a preocupação do Corpo de Bombeiros é com a segurança de nossa população", completa o Capitão Geraldo (fonte: www.passosnews.com). O mesmo não se pode dizer em relação a parte que cabe ao município. Já estamos nos acostumando com o barulho da sirene do corpo de bombeiros. Começo a entender a necessidade que a administração municipal vê no SAMU. Nosso chão começa a ser pintado de vermelho, não o “laranjado” das travessias, mas do sangue de alguns. Como nenhum de nós tem sangue azul, talvez isso não incomode os atuais mandatários da cidade.
Se ainda não se convenceu que também é um otário vou lembrá-lo agora que você paga um imposto de primeiro mundo e recebe serviço de “quinta”. Taxa de limpeza e cidade suja. O SAAE brigando muito pelo direito de cobrar por um serviço que ainda não presta. Somos otários em três esferas: federal, estadual e muito, mas muito mesmo, na municipal. Essa proximidade deve fazer com que enxerguemos isso mais fácil, pois muito provavelmente não só nós passenses somos otários. Talvez sejamos mais, mas não os únicos.
Se ainda não se convenceu que é otário é porque, além disso, deve ser também alienado.
Desculpe... Talvez você preferisse ficar da forma como estava, mas é necessário crescer, porque mais velho se fica a cada dia, mas isso não implica em crescimento.

Notícia de última hora: O Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP) reajustou para 2011 o seguro obrigatório para veículos (DPVAT). O seguro, que é pago com o IPVA, terá reajuste de 7,83% para automóveis e utilitários, passando de R$ 89,61 para R$ 96,63. Além do prêmio tarifário, será cobrado na aquisição do seguro o valor de R$ 4,15 pela emissão da cobrança da apólice ou do bilhete do DPVAT e IOF de 0,38%. No caso dos automóveis, o prêmio total é de R$ 101,16. (www.globo.com)

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

As Chagas

Na última sexta feira, no jornal Folha da Manhã, um artigo assinado por Carlos Chagas, doravante apenas Chagas, fazia menção a minha família. Neste, o “rapaz” usava o termo “vagabundos” logo após fazer uma referência a nós. Covarde como sempre, pois sabe que a cega justiça dos homens e o espaço que detém não são iguais para seus ofendidos. Apesar de reconhecer minha fraqueza humana, fico envergonhado em confessar que a princípio fui tomado por uma enorme ira. Infelizmente esse tipo de “gente” muitas vezes existe mesmo para nos fazer cair em pecado. Depois desse primeiro instante passei a refletir sobre o termo a qual Chagas se aludia a nós, logicamente, entendendo se referir a mim e duas de minhas irmãs.
Minhas irmãs têm décadas de atuação no serviço público. Suely é o que se chama de educadora, uma referência, o que pode ser facilmente comprovado junto a qualquer pessoa que já trabalhou com ela nos seus mais de 30 anos de trabalho. Maria Angélica, também com mais de três décadas de serviço, deixa sua marca de trabalho por onde passa, tamanha sua disposição. Mas logicamente Chagas não poderia de jeito algum estar se referindo a elas. Muito provavelmente nem ao menos as conhece. Não são contemporâneos e ele nem mesmo reside em nossa cidade. Dizem que o “mancebo” mora em Brasília, bem apropriado, a capital das verdades escondidas. Como poderia ele fazer algum juízo de valor a respeito da atuação profissional delas? Minhas irmãs são profissionais do mais alto gabarito, isso pode ser facilmente comprovado. Mas Chagas atacou não só isso. Covardemente falou de mães, esposas, tias, irmãs, cunhadas... orgulho para toda nossa família. Talvez a falta desse tipo de referência seja a causadora desse destempero. Mas com certeza não a única.
Passo então a refletir sobre a minha pessoa e essa poderia sim ser a motivação maior de Chagas ao nos atacar, pois já tivemos nossas diferenças sim. Mas essas passam longe em relação ao termo usado por ele, esdrúxulo para um profissional que sempre primou pela responsabilidade. Falo do meu trabalho, do qual tenho enorme orgulho. Foi aí que me dei conta de que Deus, na sua infinita bondade, sabendo das artimanhas do inimigo, veio me preparando nos últimos dias para enfrentar isso. Nesta semana que se passou, nos três locais em que trabalho, recebi de diretores e alunos manifestações de carinho, respeito e admiração profissional.
Não obstante o fato de trabalhar em três locais diferentes, coisa que com certeza Chagas desconhece, na escola em que atuo como secretário a diretora reiterou a confiança e admiração pelo meu trabalho. Em um dos colégios particulares que leciono fui convidado para ser paraninfo de uma das turmas, episódio que se repete há alguns anos. No outro, ouvi da direção e da coordenação que contam comigo para continuarmos juntos em 2011, salientando eles meu entusiasmo pela educação e pelos projetos que desenvolvo. Isso tudo, repito, nos dias que antecediam ao ataque de Chagas. A quem eu devo “dar ouvidos”? Seria justo esquecer todas essas pessoas e me deixar levar pelo que disse Chagas?
Buscando um pouco mais atrás na minha trajetória profissional não posso deixar de me lembrar da minha vida no serviço público. São 15 anos de dedicação, reconhecida por todos os prefeitos com que trabalhei. Todos eles me nomearam para importantes comissões e cargos públicos, até mesmo Nelson Maia, padrinho político de Chagas e na época até mesmo adversário político de meu pai. Esse me confiou interinamente uma das pastas de seu governo. Novamente pergunto: A quem eu devo “dar ouvidos”? Seria justo esquecer tudo isso e me deixar levar pelo que disse Chagas?
Todos sabem que fui Diretor do Departamento de Transporte e Trânsito de Passos até início de 2007. O que poucos sabem é que recebi por parte da centenária e honrada Polícia Militar de Minas Gerais menção em reconhecimento pelo meu trabalho no trânsito de Passos. Alem disso, fui escolhido como coordenador do sul de minas do Fórum Mineiro de Gerenciadores de Transporte e Trânsito. Reconhecimentos maiores eu não poderia ter neste setor.
Voltando a falar do professor, com apenas seis anos de carreira já tenho história pra contar. Fui agraciado logo no primeiro ano do prêmio da Fesp “Professor Nota A”, indicado pelo Colégio Etep. Os critérios eram: Assiduidade e pontualidade; criatividade e eficiência; compromisso; ética e profissionalismo; relacionamento interpessoal...Numa dessas coisas do destino, o diploma vem assinado por Fábio Kallas e Carlos Parreira (Folha da Manhã), tido como mentor de Chagas. Novamente me pergunto: A quem eu devo “dar ouvidos”? Seria justo esquecer tudo isso e me deixar levar pelo que disse Chagas?
Eu sei, o Chagas sabe e sabe que eu sei de onde vem todo esse seu ranço, seu ódio, sua chaga. Mas minha formação profissional não me permite atuar nesta esfera. De qualquer modo, pela minha experiência de vida e principalmente de transformação, apesar de não se referir a caso semelhante ao dele, posso sim aconselhar. Se a sua busca é apenas de aceitação, um bom psicólogo resolve. Agora, seguindo os ensinamentos de uma conhecida parábola que conta que um monge tirou da água um escorpião que acabara de lhe picar, alegando que não poderia modificar sua natureza em razão da do escorpião, ofereço-lhe a receita do remédio definitivo para que possa ter a verdadeira paz, aquela que mesmo quando nos é tirada, logo é devolvida pelo Senhor. A cura definitiva para o mal que com certeza assola Chagas é entregar sua vida a Deus. Quando se faz isso não necessariamente precisamos perder nosso senso crítico. Tão pouco nos transformamos numa água morna, muito pelo contrário. A mudança implica apenas no modo como agimos. Covardia, presunção, arrogância e maldade, esses serão extirpados da sua vida.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Quem sabe em janeiro

Quando será que vão começar a administrar a cidade pra valer? Existe uma máxima que fala que o lenhador só entra na mata até o meio desta, pois depois da metade ele já está é saindo. Faltam somente dois meses para atingirem 50% do mandato e parece que alguns ainda nem entraram.
Dias atrás, através de numa reportagem, dessas de encomenda, uma diretora “desabafava” sobre a situação de seu departamento, logo depois de colocarem Passos dois anos fora do JIMI por não comparecerem a um jogo do torneio. Pra variar jogava a culpa em alguém e no passado, isso com relação aos insucessos, pois quanto aos feitos alcançados, esses são deles mesmos. Ora, faz um ano e dez meses que está lá e ainda fica nessa? Até quando? Deve estar de brincadeira... Se estão mal, e quase todos os setores da administração municipal se encontram neste conceito, sendo isso que aponta uma pesquisa feita na cidade, a culpa é sempre do passado, quando não dá, jogam no mosquito, no rapaz do Xerox, em algum coitado que não pode se defender... Se bobear até a chuva entra nessa, e olha que ficamos quase seis meses sem ver uma gota d’água.
Tem setores que estão brincando com a nossa cara. E olha que são setores onde a população mais paga pelos serviços, como a limpeza, conservação de ruas, transporte e trânsito, entre outros tantos. Temos taxas e impostos em relação a estes departamentos que nos dá o direito de termos serviços bem melhores do que estamos recebendo atualmente. Está certo que alguns que figuram à frente de certos departamentos municipais não possuem a mínima condição para estarem lá. Não estou aqui dizendo que eles não têm capacidade para ocupar algum cargo. Estou afirmando que não possuem nenhuma condição técnica para estarem nos cargos que estão. Aí é “um tal” de culpar fulano, responsabilizar sicrano...
Mas em alguns casos não se trata de condição técnica. Muitas vezes falta também disposição para o trabalho. Alguns são verdadeiros leões quando o assunto é eleição. Passado o pleito, depois de devidamente empossados e instalados, viram mansos gatinhos no trabalho. Você vai encontrá-los novamente a mil por hora só nos dias de votação. Geralmente de crachá, braços cruzados (isso como de costume mesmo) e com cara séria, verdadeiros fiscais, sabe-se lá de que. Capacitar-se, estudar e buscar alternativas, arregaçar as mangas, partir pra cima dos problemas, isso não. Em vez disso, vão tocando secretarias e departamento com “servicinhos” inúteis e quase sempre visando um atendimento particular ou uma ordem superior, na maioria das vezes também incapacitada. De vez em quando, numa crise de consciência ou por arrogância mesmo, acham que sabem alguma coisa e se metem a fazer besteiras. Tive um professor na área de trânsito que numa de suas aulas disse que o “burro motivado” às vezes é mais perigoso que o negligente.
Eu já disse isso antes, mas vou repetir. O mal desse tipo de coisa é fazer com que o funcionalismo municipal pense que seu valor não está relacionado a sua atuação no trabalho e sim nas eleições. E desta forma temos esse tipo de serviço público que estamos recebendo, de péssima qualidade e, em alguns setores, beirando o descaso. Tem gente aí que, entre um cigarrinho e outro, um gole de café, brinca de ser diretor, de ser “chefe”, mas na verdade não passam de motoristas de luxo. Outros curtindo a aposentadoria como secretários municipais. E a cidade, com mais de 100 mil habitantes, voltando a ver coisas que já estavam superadas há pelo menos 10 anos. Mas quem sabe em janeiro isso se modifica. Pois se não mudar muito, em janeiro de 2013 com certeza mudará. Mas apesar de tudo isso temos que ficar felizes, pois na nossa cidade não existe, além desses, nenhuma catástrofe natural, pois se existissem, quem seria por nós? Com essa qualidade de serviço que se apresenta, estaríamos perdidos.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Orgulho de ser mineiro

Nesta eleição, a resposta de Minas Gerais a tentativa de imposição a qual foi submetida por Lula e parte do PT, talvez seja o que de mais importante tenha acontecido. A vitória de Anastasia tem um significado ímpar para todos nós. A coligação Hélio/Patrus, algo que soava forçado, era a própria ingerência do PT nas tradições do partido e, porque não, do nosso estado. A campanha então, era uma tentativa de convencer a nós mineiros que um forasteiro sabe mais o que é melhor para Minas que nós mesmos. O povo mineiro, honrando sua história e seus antepassados não engoliu isso.O resultado da eleição nem preciso comentar. Foi uma sonora lavada imposta àqueles que não souberam respeitar nossas tradições. Os mineiros disseram não às promessas irresponsáveis e a demagogia do passado. A volta do estado que trabalha para sustentar a máquina administrativa e o populismo foram ressachados.
Para o PT sobrou o sacrifício imposto a três grandes líderes do partido no estado. Além do respeitado Patrus, um peixe fora d’água como vice do “pmdbista” Hélio Costa, sobrou ainda para Pimentel, derrotado para o senado, o que deixou as três vagas do Estado com Aécio e seus decanos aliados Itamar e Eliseu. O outro líder derrotado nas urnas foi Nilmário Miranda, Político com P maiúsculo que também foi sacrificado por essa aliança esdrúxula.
Trazendo essa conversa um pouco mais pra perto, como diria aquele mineirinho matuto, vale ressaltar que Hélio Costa começou com larga vantagem nas pesquisas. Isso até motivou alguns a se lançarem como sendo responsáveis pela campanha que se iniciava. Foi noticiado por aqui que a coordenação geral da campanha de Costa ficaria a cargo do Chefe de Gabinete da nossa cidade. Isso quando Hélio Costa detinha quase 50% das intenções de votos contra uns 15% do governador Anastásia. Coincidência ou não, depois disso o que a gente viu foi uma queda vertiginosa do “pmdbista” e ninguém mais quis noticiar que estava à frente da campanha.
Mas quanto a isso, ou seja, da escolha do chefe de gabinete passense para coordenar a campanha, nada mais é que uma falha de interpretação do PMDB mineiro. Ao analisarem lá por BH o último pleito municipal de Passos, foram levados a esse erro. O resultado daqui olhado de longe pode sugerir uma coisa, mas visto de perto sabemos que a verdade é outra. Dessa forma, ou seja, interpretando os fatos como realmente ocorreram, melhor seria se convidassem alguém do MP, os verdadeiros responsáveis pela vitória do PMDB em Passos. Talvez a sorte pudesse ser outra, quem sabe com alguma operação qualquer. Não faço aqui nenhum juízo, pois realmente não me compete isso, apesar de sentir que algumas explicações ainda precisam ser feitas, para que não paire nenhuma dúvida sobre as reais intenções.
Voltando ao resultado em Minas propriamente dito, podemos aproveitar o hino extra oficial do nosso Estado e cantar assim: Oh, Minas Gerais! Oh, Minas Gerais! Quem te conhece não lhe impõe jamais! Oh, Minas Gerais!